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Quanto cobrar pela dúzia de ovos sem vender abaixo do custo?

Comece pelo custo da sua dúzia, separe o que cresce a cada venda do que chega todo mês e veja como feira, mercadinho, entrega e supermercado mudam a conta.

Redação MinhaGranjaPublicado em · Atualizado em

Muita gente define o preço da dúzia olhando a banca ao lado ou repetindo o que o vizinho cobra. O problema aparece quando a dúzia custa R$ 10,00 para produzir e sai por R$ 8,00: o mês fecha no vermelho mesmo com todo o ovo vendido. Para não cair nisso, comece pelo custo da sua dúzia, some o que cada forma de venda gasta para levar o ovo até o cliente e só então compare com o preço da praça.

Primeiro, descubra quanto custa a sua dúzia

Pegue um mês fechado, com os gastos e a produção do mesmo período. A calculadora do custo da dúzia soma a ração aos outros gastos que você informar e divide pela quantidade de dúzias. O resultado é o custo de produzir. Os gastos de vender, como o combustível da entrega ou a taxa da maquininha, entram depois, canal por canal.

No campo da produção, informe as dúzias que de fato foram vendidas. O ovo que quebrou, ficou sujo demais ou foi para a cozinha de casa também comeu ração e não trouxe dinheiro. Dividindo pelo que as galinhas botaram, o custo parece menor do que é.

Separe o que cresce com cada dúzia do que chega todo mês

Alguns gastos aumentam junto com a produção e a venda: a ração, a bandeja ou caixa, o combustível da entrega, a taxa do cartão ou do aplicativo, a quebra no transporte. Esses são os custos variáveis.

Outros chegam todo mês, quer você venda 100 ou 300 dúzias: energia, água, manutenção, o salário de quem ajuda, se houver. Entra aqui também uma reserva para repor as aves quando o lote terminar e para trocar o que se desgasta no galpão. Esses são os custos fixos. A mão de obra e o desgaste das instalações e dos equipamentos também fazem parte do custo. Quem deixa esses itens de fora acha que a dúzia é mais barata do que realmente é.

Pense numa criação pequena que vende 200 dúzias por mês, com números inventados só para mostrar o cálculo. A ração sai a R$ 6,50 por dúzia e a embalagem, a R$ 0,50. São R$ 7,00 de custo variável. Os fixos somam R$ 600,00 no mês, o que dá R$ 3,00 por dúzia. O custo cheio, variável mais fixos divididos pelas dúzias vendidas, fica em R$ 10,00.

Esses R$ 3,00 só valem para 200 dúzias. Num mês fraco, com 150 dúzias vendidas, os mesmos R$ 600,00 viram R$ 4,00 por dúzia e o custo cheio sobe para R$ 11,00. Por isso um mês de coleta baixa aperta o caixa mesmo sem nenhuma conta nova chegando.

Quanto cada dúzia deixa para pagar o mês

Do preço de venda, tire os custos variáveis. O que sobra é a margem de contribuição, o dinheiro que cada dúzia deixa para pagar os fixos. Depois que os fixos estão pagos, o que continua entrando remunera o seu trabalho e cobre os imprevistos.

Com a margem na mão, dá para saber quantas dúzias você precisa vender só para empatar: divida os fixos do mês pela margem de cada dúzia. Esse número é o ponto de equilíbrio.

Volte ao preço de R$ 8,00. Com R$ 7,00 de custo variável, cada dúzia deixa R$ 1,00. Para pagar R$ 600,00 de fixos seriam necessárias 600 dúzias por mês, e a criação vende 200. No fim do mês faltam R$ 400,00: entram R$ 1.600,00 das vendas, saem R$ 1.400,00 em ração e embalagem e mais R$ 600,00 de fixos.

Os dois custos servem de régua. Abaixo do custo variável, cada dúzia vendida tira dinheiro do bolso. Entre o custo variável e o custo cheio, como nos R$ 8,00, a venda ajuda a pagar as contas, mas o mês não fecha. Vender assim por semanas seguidas não paga a granja.

Vendendo na porteira a R$ 12,00, a margem passa para R$ 5,00 e o empate chega com 120 dúzias. As outras 80 dúzias deixam R$ 400,00 no mês. Se isso paga o seu trabalho, só você pode dizer.

Cada canal muda a conta

O custo de produzir é o mesmo em qualquer lugar. Vender na feira, no mercadinho, por entrega ou para o supermercado é que acrescenta gastos diferentes. Por isso não há problema em ter um preço para cada canal, desde que cada um pague os próprios custos.

Exemplo hipotético de uma dúzia vendida por entrega a R$ 13,00: ração R$ 6,50, gastos fixos R$ 3,00, embalagem R$ 0,50, entrega R$ 1,00 e sobra de R$ 2,00. A margem de contribuição é R$ 5,00 e o ponto de equilíbrio, 120 dúzias por mês

Na entrega, a dúzia de R$ 13,00 deixa a mesma margem que a de R$ 12,00 na porteira, porque carrega R$ 1,00 de combustível. Fonte: exemplo hipotético; método de margem e ponto de equilíbrio do Sebrae/PR.

Na entrega, R$ 40,00 de combustível numa rota de 40 dúzias somam R$ 1,00 a cada dúzia. Cobrando R$ 13,00 na porta do cliente, os custos variáveis vão a R$ 8,00 e a margem fica em R$ 5,00, igual à da porteira. Se a rota sai com 20 dúzias, o mesmo combustível pesa R$ 2,00 em cada uma, a margem cai para R$ 4,00 e o empate sobe para 150 dúzias. Encher a rota faz tanta diferença quanto mexer no preço.

Comparação de quatro canais de venda: feira com preço de varejo e pagamento na hora; mercadinho ou consignado com preço menor e pagamento depois da venda; entrega por WhatsApp com preço de varejo e custo de combustível e fiado; supermercado com preço negociado, pagamento a prazo e volume maior

Cada canal paga de um jeito e cobra custos diferentes de quem vende. Fonte: comparação qualitativa da Redação MinhaGranja, sem preços de mercado.

Feira

Você define o preço de varejo e recebe na hora. Em troca, entram a taxa da banca, o transporte e um dia inteiro seu. Some os gastos do dia de feira e divida pelas dúzias que costumam sair. O ovo que volta para casa precisa ter destino antes de perder qualidade.

Mercadinho e consignação

O lojista precisa ganhar na revenda, então paga menos do que o consumidor final pagaria. A vantagem é a saída regular. Na consignação, você deixa os ovos e só recebe pelo que for vendido; o resto volta. Faça a conta sobre o que foi entregue. Se o mercadinho paga R$ 11,00 e devolve uma em cada dez dúzias, você recebeu R$ 99,00 por dez dúzias entregues, ou R$ 9,90 por dúzia. Esse valor fica acima do custo variável de R$ 7,00, então cada entrega ainda ajuda a pagar as contas. Mas fica abaixo do custo cheio de R$ 10,00, antes mesmo de contar a viagem: se o ovo devolvido não tiver outra saída, esse mercadinho sozinho não fecha o mês.

Entrega e WhatsApp

Preço de varejo e conversa direta com o cliente. O custo está no combustível, no tempo gasto na rota e no fiado: dúzia entregue e não paga entra na conta como perda. Combinar dias fixos de entrega ajuda a sair com a rota cheia.

Supermercado

O volume costuma ser maior e mais regular, e o preço é negociado. Antes de fechar, pergunte o prazo de pagamento, quem paga o frete e a quebra, e que documentos e padrão de embalagem o comprador exige. Vendendo a prazo, você paga a ração hoje e só recebe depois. Esse intervalo precisa caber no seu caixa.

Como usar o preço da praça sem copiar

O preço precisa caber no que a praça paga, mas isso não obriga ninguém a cobrar o mesmo que o vizinho. Você não sabe quanto custa a dúzia dele, quantas ele vende nem se a conta dele fecha.

Os números do noticiário pedem outro cuidado. Segundo o Cepea/Esalq, a caixa de 30 dúzias de ovo branco em Bastos (SP) valia R$ 121,08 em 23/10/2026, à vista. Isso dá cerca de R$ 4,04 por dúzia. É preço de atacado, da caixa fechada vendida na saída da granja, e fica longe do que o consumidor paga na feira ou no mercado. Serve para saber se o mercado está subindo ou caindo.

O custo das granjas com centenas de milhares de aves, que a CNA levanta no projeto Campo Futuro, também está em outra escala e não serve de régua para quem vende na feira ou entrega na porta.

Se o seu custo somado aos gastos de um canal passa do que os clientes daquele canal aceitam pagar, baixar o preço só aumenta o buraco. Aí vale testar outro canal, encher a rota, reduzir a quebra ou rever os gastos.

Antes de mudar o preço

Abra a calculadora com os números do último mês fechado, informe as dúzias vendidas e anote o custo cheio. Some os gastos do canal em que você mais vende e veja onde o seu preço de hoje cai: abaixo do custo variável, entre ele e o custo cheio, ou acima dos dois. Se precisar subir, comece pelo canal que está mais longe de pagar os próprios custos. Se os clientes aceitam o preço novo, só a venda vai dizer.

Fontes