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Mercado do Ovo, semana de 23 de outubro: o preço caiu de novo e a ração pesa mais

O ovo perdeu preço em todas as praças do Cepea, a caixa não comprava tão pouco milho e farelo desde 2022, já descontada a inflação, e o consumidor também pagou menos. O que conferir antes de aceitar o próximo desconto.

Redação MinhaGranjaPublicado em · Atualizado em

Na semana que terminou em 23 de outubro de 2026, o ovo perdeu preço em todas as praças que o Cepea acompanha. Segundo o Cepea/Esalq, a caixa de 30 dúzias de ovo branco fechou a R$ 121,08 em Bastos (SP) na sexta, 23/10. A ração não baixou junto, e por isso a semana aperta mais do que o preço sozinho mostra. Antes de aceitar o próximo pedido de desconto, tenha à mão quanto custa a sua dúzia.

Cartão com três números da semana: R$ 121,08 a caixa de 30 dúzias de ovo branco em Bastos em 23/10/2026; queda de 1,84% no preço do ovo ao consumidor em setembro; a caixa não comprava tão pouco milho e farelo desde 2022

Ovo mais barato na granja e na loja, com a ração mais cara em relação ao ovo. Fontes: Cepea/Esalq; IBGE, IPCA.

Por que o preço caiu

Quem negocia ovo relatou ao Cepea menos procura e mais pedido de desconto. Esse é o principal motivo da queda. A oferta muda de região para região: em algumas praças o estoque está sob controle, em outras já há preocupação com ovo acumulando na granja.

A semana também teve notícia sanitária. No dia 18, o Ministério da Agricultura confirmou um caso de doença de Newcastle numa granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, e declarou emergência zoossanitária em quatro municípios da região. Até 23/10, Malásia e México tinham suspendido compras de produtos avícolas de todo o Brasil, e China, Arábia Saudita e Chile, só de Santa Catarina. O Cepea espera pouco efeito sobre o ovo, porque o México compra uma parte pequena das exportações de aves do Brasil e a restrição chilena vale para um único estado. O ovo segue próprio para consumo.

A caixa paga menos ração

Milho e farelo de soja são a base da ração, e o Cepea acompanha quanto deles o avicultor paulista consegue comprar com o que recebe pelos ovos. Em setembro essa conta piorou pelo terceiro mês seguido, mais ainda no farelo. No terceiro trimestre, a caixa comprou o menor volume de milho e de farelo desde 2022, já descontada a inflação: o custo subiu enquanto o ovo perdia valor.

Na prática, cada caixa vendida hoje compra menos milho e menos farelo do que comprava no meio do ano. Se a sua conta de custo foi feita antes disso, ela provavelmente está otimista.

O consumidor também pagou menos

No IPCA, o índice de inflação do IBGE, o ovo de galinha ficou 1,84% mais barato em setembro e 6,84% mais barato em 12 meses no Brasil. Quem vende direto, na feira, no mercadinho ou por entrega, encontra um cliente que viu o preço cair no supermercado e chega esperando pagar menos.

Gráfico de barras com a variação em 12 meses do preço do ovo de galinha ao consumidor até setembro de 2026, por área do IPCA: Fortaleza +1,17% e as demais em queda, de São Luís −0,83% a São Paulo −11,27%; Brasil −6,84%

Em 12 meses, o ovo ficou mais barato para o consumidor em 15 das 16 áreas do IPCA; só Fortaleza subiu. Fonte: IBGE, IPCA, tabela 7060, setembro de 2026.

Esse percentual é do preço na loja, que inclui margem do varejo, embalagem e frete. Não dá para comparar direto com a caixa vendida na granja.

O que fazer nesta semana

Refaça o custo da dúzia com a ração que você está pagando agora. A calculadora do custo da dúzia soma a ração aos outros gastos que você informar e divide pela produção do mesmo período. Conte só as dúzias que você vende: ovo quebrado, sujo descartado ou consumido em casa não entra.

Separe dois números. O custo variável é o que cresce a cada dúzia: ração, embalagem, frete, taxas e perdas. O custo cheio soma a isso as contas fixas do mês, como energia, mão de obra e o desgaste do galpão, dividido pelas dúzias vendidas. O custo variável é o seu piso: abaixo dele, você perde dinheiro em cada dúzia que entrega. Entre o variável e o cheio, a venda ajuda a pagar as contas, mas o mês não fecha. Dá para atravessar uma ou duas semanas fracas assim, mas vender perto do piso por semanas seguidas não paga a granja.

Comece também a pensar em janeiro. Segundo o Cepea, o primeiro mês do ano costuma ter procura mais fraca, porque as famílias chegam com menos dinheiro depois dos gastos de fim de ano. Se você vai alojar lote novo, fechar compra de ração ou buscar cliente para o começo do ano, faça essas contas em novembro, com o custo da dúzia atualizado na mão.

Fontes