Conhecimento MinhaGranja

Na prática

Para entender suas aves
e cuidar melhor da criação.

Todas as leituras

Sanidade e biosseguridade

Mais galinhas morreram esta semana. O que anotar e quando avisar?

Como fazer a conta da mortalidade, o que a curva da linhagem considera esperado, o que levar ao veterinário e quando a regra pede aviso ao serviço veterinário oficial.

Redação MinhaGranjaPublicado em · Atualizado em

Perder uma galinha de vez em quando faz parte de qualquer criação. Nos manuais das linhagens comerciais, a referência para aves em gaiola fica perto de 1 ave em cada 1.000 por semana. Se a sua semana passou disso, faça a conta, anote o que mudou e converse com o veterinário. O alarme é outro quando morrem 5% ou mais das aves de um galpão em até três dias, ou quando aparecem sinais que lembram gripe aviária ou doença de Newcastle, como dificuldade para respirar, falta de coordenação ou diarreia sem outra causa evidente. Aí a regra do Ministério da Agricultura manda avisar o serviço veterinário oficial na hora e segurar aves e ovos na propriedade até ele liberar.

Faça a conta da semana

O número de aves mortas, sozinho, engana. Três galinhas num lote de 2.000 é pouco; três num lote de 50 é muito. Por isso a mortalidade é contada em porcentagem, de dois jeitos:

  • Mortalidade da semana: aves mortas na semana ÷ aves vivas no começo da semana × 100.
  • Mortalidade acumulada: todas as aves mortas desde a chegada do lote ÷ aves alojadas × 100.

Um exemplo com números inventados, numa criação de 500 aves: o lote começou a semana com 480 vivas e perdeu 3. A mortalidade da semana foi de 0,6%, acima da referência, que daria menos de uma ave. É hora de anotar, olhar as aves com mais atenção e acompanhar a semana seguinte. Não é motivo para parar de vender ovos.

Anote à parte as aves que saíram do lote por descarte, venda ou separação. Elas diminuem o número de vivas, mas não morreram, e misturar as duas coisas estraga a conta do mês seguinte. Uma ficha do lote com as mortes e os ovos de cada dia permite comparar qualquer semana nova com as anteriores.

Em criação pequena, cada ave pesa muito na porcentagem: uma morte num grupo de 40 já dá 2,5%. Nesses casos, olhe também para o que aconteceu antes e depois. Uma ave velha que morreu num dia comum é diferente de três mortes em dois dias, no mesmo canto, depois de uma onda de calor.

O que a linhagem considera esperado

Os manuais das linhagens trazem uma tabela com a porcentagem de aves que deve continuar viva em cada semana. Nas três linhagens do gráfico, morre em média 1 ave em cada 1.000 por semana, e perto das 100 semanas a perda acelera um pouco. A conta começa quando a franga entra em postura, por volta da 18ª semana.

Gráfico de linhas da porcentagem de aves vivas de Hy-Line W-36, Hisex Brown e Novogen White entre 18 e 100 semanas: as três saem de quase 100% e chegam a cerca de 92% às 100 semanas

De cada 100 aves que entram em postura, cerca de 8 morrem até as 100 semanas nos manuais. Fonte: manuais Hisex Brown (L6240-1), Hy-Line W-36 (jan. 2020) e Novogen White (01/2025), aves em gaiola.

Esses números valem para aves em gaiola, com o manejo, a sanidade e o ambiente que os fabricantes consideram adequados. Servem de régua para saber se o seu lote saiu muito do esperado, sem prometer que ele vai ficar na linha. Fora do papel, as perdas costumam ser maiores: pesquisadores da Embrapa descrevem até 15% de mortalidade em surtos nas criações tradicionais e de 4% a 6% nas grandes granjas com ambiente controlado.

Para conferir os dados e o manual da sua linhagem, use a biblioteca de linhagens.

O que levar ao veterinário

Doença, calor, falta de água e problema de ração podem matar aves, e de longe tudo isso parece igual. O veterinário chega mais rápido a uma resposta quando sabe quando começou, em que velocidade cresceu e o que mudou nos dias anteriores. “Morreram umas cinco” diz menos do que “uma na segunda, duas na quarta, cinco no sábado, todas no galpão do fundo”.

Lista de verificação com oito itens para anotar antes de ligar para o veterinário: data e hora, mortas por dia, idade e linhagem, sinais nas aves vivas, água e ração, calor, luz e energia, ovos, e o que aconteceu antes

Uma lista para preencher antes da ligação. Organização MinhaGranja com base em orientações da Embrapa e no formulário de notificação do MAPA.

A idade e a linhagem permitem comparar com a tabela de referência. Os sinais nas aves que continuam vivas contam muito: respiração com ruído ou bico aberto, cabeça torta, fezes diferentes, crista escurecida, aves paradas num canto. Descreva o que viu, sem tentar dar nome à doença.

Água, ração, temperatura e luz entram na lista porque uma falha nelas também mata. Um bebedouro entupido, um saco de ração de outra entrega, uma noite sem energia ou uma semana de calor forte mudam o quadro. O que aconteceu na granja antes das mortes também ajuda: aves novas, visitas, vacinação, transporte, aves silvestres por perto.

Fotos das aves doentes e do local ajudam quem vai atender à distância. Pergunte ao veterinário se ele quer examinar alguma ave morta e como guardá-la até lá. Não abra aves por conta própria.

Quando o aviso ao serviço oficial é obrigatório

O serviço veterinário oficial é o órgão de defesa agropecuária do seu estado, junto com o Ministério da Agricultura (MAPA). É ele que investiga suspeitas de doenças como a gripe aviária e a doença de Newcastle. A ficha técnica do MAPA de fevereiro de 2026 lista o que já conta como suspeita e precisa ser avisado na hora:

  • sinais respiratórios, nervosos ou digestivos compatíveis com essas doenças, em qualquer ave;
  • mortalidade de 5% ou mais em até 72 horas em pelo menos um galpão de criação comercial;
  • queda no consumo de água ou ração, queda de postura ou mais ovos deformados, junto com aumento das mortes;
  • mortes súbitas e em grande número em aves de quintal.

O critério de 5% conta galpão por galpão. Para o MAPA, é comercial toda criação que produz ovos ou carne para vender, de qualquer tamanho. Por isso, quem vende ovos de um lote pequeno também está na regra, e o limite chega com poucas aves. Num exemplo com números inventados, um galinheiro de 30 aves que perde 2 em três dias chega a 6,7%. Num galpão de 1.000 aves, seriam 50 mortas no mesmo prazo.

Cartão com os critérios do MAPA para avisar o serviço veterinário oficial, o canal de aviso e o que fazer enquanto espera o atendimento

Critérios da ficha técnica de influenza aviária do MAPA, fevereiro de 2026. Fonte: MAPA/SDA/DSA; Ministério da Saúde.

Se você acha que as mortes vieram de um apagão, de uma falha de equipamento ou de um temporal, avise do mesmo jeito e conte o que aconteceu. A ficha prevê esse caso: quando a causa não infecciosa estiver comprovada, o serviço oficial avalia se precisa ir até a granja.

Avise o serviço veterinário oficial do seu estado ou use o e-Sisbravet, o sistema de notificação do Ministério da Agricultura, em gov.br/agricultura/pt-br/notificacao. Os critérios mudam com o tempo: no Rio Grande do Sul, uma nota técnica de maio de 2025 falava em 10% em 72 horas, e a ficha nacional de 2026 usa 5%. Na dúvida, avise. Quem decide se o caso vira investigação é o veterinário oficial.

Sob suspeita, nada sai da propriedade

Quando a situação bate num desses critérios, o MAPA orienta isolar as aves suspeitas e não tirar da propriedade animais, produtos e resíduos até o veterinário oficial atender e liberar. Na prática, isso inclui os ovos, o esterco, a cama e as aves mortas. Também não é hora de vender, doar ou levar aves para outra propriedade, nem de trazer aves novas. Reduza ao mínimo a entrada de pessoas e veículos, e troque roupa e calçado ao entrar na criação.

Pergunte ao serviço oficial o que fazer com as carcaças antes de enterrar, queimar ou compostar. O veterinário oficial pode precisar de aves recém-mortas para colher amostras.

Mortes dentro do esperado, ou um pouco acima sem nenhum desses sinais, não exigem segurar ovos nem aves. Pedem registro e conversa com o veterinário que acompanha a criação.

O que fazer com as aves mortas no dia a dia

Recolha as aves mortas todos os dias. Use luvas, mantenha cães e gatos longe e, depois, lave as mãos com sabão e troque a roupa.

A ave morta precisa de um destino seguro para a saúde do lote e para o ambiente. Compostagem, compostagem acelerada e incineração são as saídas mais citadas, escolhidas conforme o tamanho da granja e o investimento possível. Feito de qualquer jeito, o processo atrai urubus, moscas e outros animais que levam problemas de volta à criação. Jogar a ave no mato ou no rio, ou deixar a céu aberto, causa exatamente isso. Antes de montar uma composteira, peça orientação técnica e confira as regras ambientais da sua cidade e do seu estado.

Na semana que vem, compare: as mortes voltaram ao ritmo de antes ou continuam subindo?

Fontes