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Gripe aviária: preciso prender minhas galinhas? Posso continuar vendendo ovo?

Onde a gripe aviária apareceu no Brasil até outubro de 2026, o que isso muda para quem cria, os cuidados que cabem numa criação pequena e o que fazer se as aves morrerem de repente.

Redação MinhaGranjaPublicado em · Atualizado em

Até 23 de outubro de 2026, a produção comercial de aves no Brasil continua livre de gripe aviária, e o ovo e a carne de frango seguem seguros para comer e vender. Os casos deste ano apareceram em aves silvestres e em criações de fundo de quintal. Quem cria só para a casa não tem ordem federal para prender as galinhas. Quem tem granja registrada com piquete aberto teve a criação ao ar livre sem tela em cima suspensa por 180 dias em 2025; esse prazo acabou em setembro de 2025, não encontramos prorrogação, e vale confirmar com a defesa agropecuária do estado se há regra valendo. Em qualquer caso, o vírus chega trazido por aves selvagens, e a melhor defesa do lote é não deixar que elas dividam água, ração e espaço com as suas galinhas. Se aves começarem a morrer de repente, avise no mesmo dia o serviço veterinário oficial.

Onde a gripe aviária apareceu

O vírus da influenza aviária de alta patogenicidade, o H5N1, foi detectado no Brasil pela primeira vez em 15 de maio de 2023, em aves silvestres. No mês seguinte apareceu o primeiro caso numa criação doméstica, num quintal em Serra (ES). Desde então, a maior parte dos registros segue em aves de vida livre, principalmente as aquáticas, que o MAPA aponta como o principal reservatório do vírus. Em março de 2026, a contagem divulgada pela CNN Brasil era de 188 focos: 173 em aves silvestres, 14 em criações de subsistência e 1 em granja comercial.

Linha do tempo de 2023 a 2026: primeira detecção em aves silvestres em 15/05/2023; primeiro caso em criação doméstica em 27/06/2023; único foco comercial em Montenegro (RS) em 15/05/2025; status de livre recuperado em 18/06/2025; casos de subsistência em Acorizal (MT), Coqueiros do Sul (RS) e Selbach (RS) em 2026; Newcastle em perus em Santa Catarina em 18/10/2026; emergência prorrogada até 17/05/2027. Até março de 2026, eram 173 focos em silvestres, 14 em subsistência e 1 comercial.

Quase todos os focos estão em aves silvestres; em 2026, os casos em criações foram de fundo de quintal. Fonte: MAPA, Seapi-RS, Indea-MT, CNN Brasil e Jornal do Comércio.

“Subsistência” é a criação feita para o consumo da família. Entre os casos confirmados em 2026 nesse tipo de criação estão os de Acorizal (MT), em janeiro, Coqueiros do Sul (RS), em julho, e Selbach (RS), no começo de outubro. Em Acorizal, o próprio criador percebeu aves morrendo de repente e chamou o Indea, a defesa agropecuária de Mato Grosso. As aves do local foram sacrificadas e a propriedade ficou 45 dias sem poder ter aves. Segundo o Indea, o vírus veio de patos selvagens que pousavam em lagoas e áreas alagadas da região.

Em Selbach, a Secretaria da Agricultura do RS (Seapi) atendeu o aviso de mortalidade em 1º de outubro, teve o laudo em 5 de outubro e anunciou o encerramento do foco no dia 9, sem ter encontrado outra suspeita nas propriedades vizinhas.

O único caso em granja comercial

Em 15 de maio de 2025, o MAPA confirmou o vírus num matrizeiro, granja de aves reprodutoras, em Montenegro (RS). É até hoje o único foco em produção comercial no país. Todas as aves do estabelecimento foram sacrificadas e a área num raio de 10 km entrou em proteção e vigilância. China e União Europeia suspenderam a compra de frango de todo o Brasil. O país voltou a se declarar livre da doença na produção comercial em 18 de junho de 2025, 28 dias depois da limpeza e desinfecção do foco, mas o comércio demorou mais para voltar: segundo o portal O Presente Rural, a China só retirou o embargo ao Brasil inteiro em novembro de 2025.

Onde o vírus é confirmado, o serviço oficial elimina todas as aves da unidade, destrói carcaças, ovos e resíduos, desinfeta as instalações e só libera o alojamento depois de um vazio sanitário.

Por que um caso de quintal não fecha o mercado

Pelas regras da Organização Mundial de Saúde Animal, a doença em aves que não são de produção comercial, incluindo as silvestres, não muda a situação sanitária da avicultura comercial do país. Foi por isso que Acorizal, Coqueiros do Sul e Selbach não bloquearam exportações.

Na vigilância do MAPA, ave de produção comercial é toda ave criada para produzir carne ou ovos para venda, independentemente do número de aves na propriedade. Quem vende ovo, mesmo de um lote pequeno, está desse lado da conta. Por isso a prevenção e o aviso rápido valem tanto para 30 galinhas quanto para 30 mil.

Cartão em duas partes. O que não muda: ovo e carne seguem seguros para comer, e a venda só para em propriedade sob suspeita; a produção comercial segue livre de gripe aviária; caso em quintal não fecha exportação. O que muda: emergência sanitária nacional vale até 17/05/2027; morte súbita de aves deve ser avisada na hora ao serviço oficial; água e ração precisam ficar longe de aves silvestres; quem vende ovo conta como produção comercial na vigilância; piquete sem tela foi suspenso por 180 dias em 2025, sem prorrogação encontrada, e a regra deve ser confirmada no estado.

A rotina muda mais do que o mercado. Fonte: MAPA (ficha técnica de fevereiro de 2026 e Portarias 782/2025 e 963/2026) e Seapi-RS, situação em 23/10/2026.

Posso continuar vendendo ovo?

Pode. Nos comunicados de julho e de outubro de 2026, a Seapi repetiu que não há risco em comer carne e ovos, porque a gripe aviária não é transmitida pelo consumo. Ao anunciar o caso de Newcastle em Santa Catarina, em outubro, o MAPA reafirmou que os produtos avícolas com inspeção oficial seguem seguros.

A exceção é a propriedade sob suspeita, pelos critérios oficiais descritos mais abaixo. Mortes dentro do esperado não fazem parte disso. Quando há suspeita, quem cuida das aves deve isolar as suspeitas e parar a saída de animais, ovos, esterco e qualquer outro produto ou resíduo até o veterinário oficial autorizar. Enquanto a suspeita não for esclarecida, o ovo dessa criação fica em casa.

Preciso prender as galinhas?

Depende do tipo de criação. Em março de 2025, a Portaria 782 do MAPA suspendeu, em todo o país, a criação de aves ao ar livre com acesso a piquetes sem tela na parte de cima. A suspensão valia para estabelecimentos avícolas registrados conforme a IN 56/2007, no órgão estadual de defesa agropecuária, e tinha prazo de 180 dias, prorrogável. Contado da publicação, em 27 de março de 2025, esse prazo terminou por volta de 23 de setembro de 2025. Até 23 de outubro de 2026, não encontramos prorrogação. Na época, a Agrodefesa de Goiás orientou também manter ração e água dentro dos galpões. A emergência sanitária nacional por gripe aviária é outra medida e foi prorrogada pela Portaria 963 até 17 de maio de 2027.

Se a sua granja é registrada e as aves ficam soltas, como na produção caipira ou livre de gaiola, confirme com o escritório da defesa agropecuária do seu estado se há regra de tela valendo hoje. A criação só para o consumo da casa não estava no alcance da portaria.

Com ou sem regra, o risco que o MAPA descreve é o contato com aves de fora, direto ou pela água e pela ração. Comedouro e bebedouro dentro do galinheiro coberto, e uma área com tela em cima onde as aves passam mais tempo, diminuem esse contato.

Cuidados que cabem numa criação pequena

O MAPA lista dois caminhos para o vírus chegar: contato direto com aves doentes ou contato indireto, por água, alimento, pessoas, roupas, equipamentos, veículos, ratos, insetos, cama e esterco contaminados. As medidas abaixo, tiradas das orientações da Seapi e da defesa agropecuária, diminuem a chance de o vírus chegar.

  • Ração derramada e água aberta atraem aves de fora. Mantenha comedouros e bebedouros sob cobertura, tambores e silos tampados e a caixa d’água vedada.
  • Aves aquáticas são o principal reservatório, então as suas aves não devem usar o mesmo açude, lagoa ou área alagada que patos e outras aves selvagens frequentam. Represas e reservatórios perto do galinheiro também atraem aves silvestres.
  • Confira buracos na tela antipássaro, na cerca e no portão do cercado.
  • No galinheiro, só entra quem precisa. Tenha uma bota e uma roupa que ficam só para o galinheiro, e desconfie de visita que acabou de passar por outra criação de aves.
  • Caixas de transporte, ferramentas e veículos que andam de propriedade em propriedade podem levar o vírus. Lave e desinfete antes de entrar.
  • Se encontrar ave silvestre doente ou morta, não pegue nem tente socorrer, mantenha as suas aves longe e avise a defesa agropecuária.

Aves morrendo de repente: o que fazer

Para o MAPA, mortalidade súbita e alta numa criação de quintal já é caso suspeito, assim como sinais respiratórios, neurológicos ou digestivos. Nas granjas comerciais, a referência é a morte de 5% ou mais das aves de um galpão em até 72 horas, ou queda de consumo e de postura acompanhada de mais mortes. A notificação é obrigatória e imediata. Gripe aviária, Newcastle e outras doenças podem causar sinais parecidos, e quem confirma é o laboratório oficial do MAPA.

Fluxo em quatro passos para aves morrendo de repente: 1, não mexa e não venda: aves, ovos, esterco e carcaças não saem da propriedade; 2, avise no mesmo dia o serviço veterinário oficial do estado ou o e-Sisbravet, em gov.br/agricultura/pt-br/notificacao; 3, conte o que viu, como quando começou, quantas morreram, que sinais e se faltou energia ou fez calor; 4, espere a liberação oficial antes de enterrar, doar ou trazer aves novas.

O aviso vem antes de qualquer outra providência. Fonte: MAPA, Ficha técnica de Influenza Aviária, fevereiro de 2026, e Seapi-RS.

Na prática:

  1. Não mexa e não venda. Deixe as aves vivas separadas e não tire da propriedade aves, ovos, esterco ou carcaças.
  2. Avise no mesmo dia. O canal é o serviço veterinário oficial do seu estado, pelo escritório local da defesa agropecuária ou da secretaria de agricultura. No Rio Grande do Sul, a Seapi atende pela inspetoria mais próxima e pelo WhatsApp (51) 98445-2033. Em qualquer estado, também dá para notificar pelo e-Sisbravet, do Ministério da Agricultura, em gov.br/agricultura/pt-br/notificacao.
  3. Conte o que viu: quando começou, quantas aves morreram, que sinais apareceram, se aves silvestres andaram por perto. Diga também se houve falta de energia, falha de equipamento ou calor forte: o MAPA prevê que, quando a causa não infecciosa fica comprovada, o serviço oficial avalie se precisa ir até o local.
  4. Espere a orientação. Não enterre, não doe e não traga aves novas antes de o veterinário oficial liberar.

O veterinário que já atende a sua criação pode ajudar, mas não substitui o aviso ao serviço oficial.

E a doença de Newcastle em Santa Catarina?

Em 18 de outubro de 2026, o MAPA confirmou um foco de doença de Newcastle numa granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba (SC). É outra doença, acompanhada pela mesma vigilância e pelo mesmo plano de contingência da gripe aviária. A granja foi interditada e o trânsito de aves, suspenso. Até 23 de outubro, alguns países tinham restringido compras de produtos avícolas, parte deles só de Santa Catarina.

Como Newcastle e gripe aviária podem se parecer no galinheiro, as duas pedem o mesmo aviso imediato.

Se você vende ovos de galinhas soltas, vale fazer duas coisas nesta semana: perguntar à defesa agropecuária do seu estado se há exigência de tela para o seu tipo de criação e anotar o telefone do escritório mais próximo num lugar que todo mundo da granja conheça, para ninguém precisar procurar no dia em que as aves começarem a morrer.

Fontes